Ao adotarmos o liberalismo como uma teoria puramente econômica, aceitamos a formação de instituições de fé por serem economicamente viáveis. A diferença é quanto ao meu poder de, estando de fora, opinar a respeito da função [objeto?] da empresa, fato que, para um real liberal, está seguramente garantido. Imaginem que há uma empresa que propague um produto que EU considero deveras esdrúxulo. Ora, caso venda bem, não prejudique de fato seus clientes – e eles decidem, afinal, compra a m***a quem quiser – não tenho menor o direito de tentar banir a empresa de seu ramo. Mas posso, por livre escolha, achar a aquisição do produto como altamente dispensável aa minha pessoa, rejeitá-lo como imprestável, etc. E aqui alguns liberais patinam, se bem que pro societas. Explico [acho]: aqui no Brasil há uma restrição legal [eis o ‘a favor da sociedade’: não podemos viver ajuridicamente, aeconomicamente, ou seja, idealisticamente] quanto ao ‘discordar’ da sacralidade de Deus E poder externar tal descompromisso, bem como, simplesmente, desconsiderá-lo como hipótese decente, o que, isso sim, ofende princípios liberais, não sei como um liberal pode dissociar um entendimento legítimo do direito de externá-lo; mas, talvez por uma [promíscua] proximidade com a tal da, err, empresa, vejo alguns ‘liberais’ defenderem esse protecionismo indevido [inclusive no que diz respeito aa isenção de alguns tipos de impostos. É um claro favorecimento a determinado setor, mas, como existem favorecimentos mil...], esse instituto não-liberal, e, alguns mais fervorosos, indicam até o Código Penal a sustentá-lo.
Mas quero pensar que esses liberais estejam apenas arraigados em sua crença imaterial, estejam a defender o vizinho, a tia, a vó, suas próprias idas aa igreja, a defender filosoficamente seu dízimo. Ora, não há como me impedir de ficar estupefato com o fato de que alguém 'esclarecido' entre em um templo e aja fervorosamente como se o além estivesse 'de olho', ou ore aa noite, antes da refeição, para ajudar na cura de um parente, sei lá. Quero que, apenas, sejam liberais de vez, asseverem simplesmente que a opcao é economicamente aceitável, que o suporte material [$$$$] dado é por crença, ainda que infundada empiricamente [mais conhecida como fé], ou, até mesmo, caridade [esse é O motivo, acho, mas se precisar acreditar no URI ou no MVE for indispensável ao embalo do caridoso, nao restam muitas dúvidas que há mais hipocrisia que outra coisa em jogo. Ser ou parecer, eis a questao. E se papai-do-céu nao fosse onisciente, prefeririam colocar veneno no sopao dos mendigos? Prefeririam NAO dar o tal sopao? Cartas para o Vaticano, por favor]. Mas o que me obriga a referendar sua crença com, no mínimo, meu silêncio? Aliás, caridade alardeada em nome de C****o nao é vitupério, tal qual um auto-elogio? Tirando a parte economica da coisa [ou: o simples fato de NAO ser inviável ou maléfica economicamente], para que serve uma igreja HOJE EM DIA?
6 reclamações aqui:
Tb acho isso tudo uma bela merda. Com ESPEQUE no pensamento de OLAVÃO venho compreendendo melhor essa coisa toda de cristianismo.
Pra resumir: a sociedade é formada por uma massa de pangarés e alguns poucos iluminados. Esses poucos têm a oportunidade de compreender o sentido de ser da religião e de cada um dos seus ditames morais, e a importância de toda a sociedade obedecê-los para sua própria preservação. A massa, não. Mas como todos [ilumindaods e a massa] têm de seguir a regra, é preciso criar um princípio de disseminação do tipo "é feio não acreditar em deus", que, mesmo não compreendido em essência [já que sempre haverá pangarés incapazes de fazê-lo], induza a massa a seguir a religião.
Esse tal princípio de disseminação põe em confronto a massa fanqueira - que não sabe pq está seguindo a religião mas segue - e os, digamos, ateus-esclarecidos, que se recusam a seguir a religião por não compreendê-la em essência nem aceitar obedecer à regra de disseminação.
Conflito feio de ver esse. Responsável por muitos banhos de sangue.
ditames morais importantes para a preservacao que NAO ESTEJAM Já HOJE EM DIA elencados nas LEIS sao um tanto difíceis de achar. putz, eu estava corrigindo algumas coisas do texto e o cara já tinha mandado comentário afiado...
vou adotar esse tal de reader, deve ser bem maneiro meshmo
Olá ilustre,
Estou de acordo com boa parte dos seus argumentos sobre sotaques e padrões. De fato tu propões uma verdade de domínio muito amplo. Mas ainda sim desconfio daquela suposta "neutralidade" dos telejornais. Para além de ingênuas e improfícuas questões de bairrismo acerca de cultura e sotaques, pensemos o seguinte:
Se as vogais são taxadas fonemas que são proferidos sem obstáculo à passagem de ar, qual a diferença anormal que existiria entre o que se fala em Alagoas e na Bahia, quando estas vogais são jogadas em palavras? (deixarei o argumento inicialmente dentro da mesma região para não parecer um fanático simplório.)
Ex: Alagoano: Pert[TÍ]nho
Baiano: PerT[XI]nho.
Pernambucano: T[Í]ro
Capixaba: T[XÍ]ro
Outro exemplo:
Potiguar: [È]scola
Paulistano: [Ê]scola
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A [è] i [ò] u - É válido
A [ê] i [ô] u - Valido certamente.
A análise realizada lá no meu [nosso] blog é apenas uma constatação estrutural. Todos os sotaques do Brasil são admiráveis, sem exceção. Todavia, a tentativa de impor algum em detrimento a qualquer outro é onde reside a potência de [mais uma] discórdia regional. O respeito à diferença é um tema que vai muito além de um mero discurso edificante. Deve ser praticado, mas só há prática quando bem teorizados os problemas. Em suma, é um tema que possui "muito pano para manga".
Agradeço sua contribuição.
Grande,
uma frase sua que levei em alta conta:
"a língua é a menos culpada, assim como a TV em si"
É esse, na minha pobre crença, o cerne de toda essa querela. Quem é o "verdadeiro" responsável e quem apenas é o bode expiatório. Lá, como você pôde ver, me esquivei de análises políticas e históricas, mesmo por que não as conheço de maneira digna. Tentar fazer uma "metafísica" da língua ou do domínio de uma das suas facetas é um trabalho bem vulnerável. Mesmo por que faço parte do ethos de um micro lugar do Brasil, assim como você também é d'outro lugar. Mas o que você sugeriria como resposta ao questionamento feito lá? Ou você acredita que não haja um forte predomínio de certas maneiras por sobre outras?
Mais uma vez agradeço.
[i]como definir o que é neutro e o que é 'carregado'?[/i]
Eis o cerne da investigação. Você chegou a pergunta essencial a qual eu buscava. Aqui onde moro existem bairristas loucos, assim como no RS. Não quero uma resposta que acalente e que diga que o gauchês ou o pernambuquês sejam justificados. Quero saber do que é certo e por que é certo: há o certo? E o errado, por que caracteriza-se como tal? Onde é a raiz disso tudo?
"Explica-se boa parte da falta de uma identidade sólida do liberalismo por suas bases. Em sua essência, a doutrina parece proceder do amor pela liberdade. Em linguagem mais filosófica, a liberdade é um valor, final ou instrumental, que nos é caro. A superestrutura do liberalismo é erguida sobre esse juízo de valor facilmente aceitável. Contudo, a liberdade não é o único valor, nem mesmo o único valor político. Ela tem muitos rivais: proteção do indivíduo e da propriedade, garantia da subsistência, igualdade de vários tipos, defesa dos fracos contra os fortes, progresso do conhecimento e das artes, glória e grandeza; a lista é possivelmente infinita. Muitos, se não todos, esses valores podem ser realizados somente por meio do cerceamento da liberdade. Rejeitar esses valores e contestar a liberdade de outrem de acalentá-los em prejuízo da liberdade é contrário ao espírito liberal de tolerância e de amor pela liberdade."
em http://www.ordemlivre.org/node/457
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